Degustando a morte

Como a um delírio que não quer terminar, ela me sonda, para aos poucos me levar.

Passo do material, para a escuridão total.

 Ouço o eco do desespero e eu parado mais além.

Sem controle sobre mim, com medo e sem ninguém, devolvo expressivamente tudo que ousei falar até o momento.

Minha boca põe-se a dizer palavras mudas por um longo tempo.

De repente me silencio e continuo a observar, continuo não vendo nada além de mim,   sinto-me desesperar.

Mãos, pés e dedos começam a gesticular, como se não tivesse hora para parar.

Ouço meu coração bater, apressa-se por instantes, depois a decrescer,

chega a um ponto, que mal consegue responder.

Meu corpo a começar pelas mãos e os pés, se esfarelam pelo ar, a escuridão e meu corpo vão aos poucos se unificar.

Com o que me resta de força, tento desesperadamente dar um sinal, bato com as pernas e nada acontece, e  aquela luz chegando cada vez mais perto, me deixa apreensivo, com medo, me entristece.

A escuridão já havia tomado quase todo meu corpo.

  Já não podia mais falar, gritei 1, 2, 3, vezes, o mais alto que pude e a escuridão acabou por me tomar.

 Apenas  uma centeia de luz me resta, mais que suficiente para tentar, pois com o grito lacrimoso de minha mãe, fez a vida quase extinta, voltar.

Como se já não fosse suficiente o que tinha acabado de passar, recebi de presente dois dias que nunca hei de me lembrar e um ano de sofrimento que fez minha vida agora reacendida sangrar.

(Julio Cesar Nunes de Oliveira)

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