Deudem – Deus e Demônio (em andamento)

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Muitas pessoas se perguntam, para onde vão depois de mortas.

Outras se perguntam, o que vai acontecer comigo? Não tenho um Deus e é claro,  também não acredito no Demônio, então para onde vou?

Bom, eu sou um exemplo do que nós descrentes nos transformamos quando morremos, nos transformamos naquilo que acreditávamos não existir, irônico isso, nós somos chamados de Deudems, a união de todas as forças contrarias para que nossa essência esteja sempre em  constante modificação, não somos perfeitos, pois memórias do passado nos assombram e nos limitam, mas posso afirmar com certeza, que todo nosso potencial de ser pode ser exercido, outra limitação dos Deudems é a capacidade de percepção evoluída, mas onde existimos não existe conhecimento além daquele que nós mesmos criamos, existe uma forma de sair dessa rotina e em minha história e vida irei falar sobre ela .

Eu sou Oiluj Rasec Senun de Arievilo, depois que morri percebi que o nome não significa nada, principalmente quando estamos sozinhos.

Desde pequeno não tenho religião, por opção resolvi estar neutro,eu vivia me perguntando para onde iria depois de morto e agora eu sei, a morte não é e nunca será o que pensão, somente morrendo para saber o destino que sua essência vai ter.

01/08/1988 – 14/10/2064

Eu tinha uma mania de Sempre me preocupar com os outros, prometi a mim, que só viveria enquanto pudesse aguentar, pois não queria dar trabalho a ninguém, mesmo tendo uma alimentação saudável e praticando  exercícios, percebi que já não era o mesmo, estava começando a ter limitações e com elas a dependência, deixei o tempo passar e com ele minha vontade de viver também ia, finalmente no dia 14/10/64, minha vida terrena se deu como terminada, o motivo, morte natural, acharam estranho, pois eu era uma pessoa saudável, como poderia ter morrido assim tão rápido? Bom, o motivo não é necessário dizer, já que deixei claro o porque desde o início, o que posso dizer é que se minha vida não tem mais utilidade, não à nada que me prenda a terra.

Assim  que deixei meu corpo terreno, acordei em um local totalmente preto e branco, negro no céu e branco no chão, como se estivesse lá para alguém moldar e criar algo para preencher aquele espaço.

Meu corpo era totalmente negro com desenhos brancos, minha visão nunca esteve tão boa, meu corpo parecia  perfeito com voltas, formas e músculos bem expressivos, o que me deixou um pouco aflito,  foi o fato de não poder ver meu rosto, então estendi minha frente a meu rosto enquanto murmurava o quanto gostaria de ter um espelho para poder me ver, enquanto murmurava, minha mão começou a ficar estranha,  tremendo e  em seguida derretendo, fiquei assustado sem saber o que fazer, então comecei a prestar atenção no que acontecia, querendo ou não estava acontecendo e tudo que eu poderia fazer era observar, ao  cair no chão a poça homogênea  foi se modelando um espelho, totalmente intrigado mais do que de pressa, peguei o espelho no chão e comecei a inspecionar, mas nada se compara  ao susto que levei ao me ver no reflexo, eu não possuía boca, mas conseguia falar, não tinha nariz, mas conseguia sentir, não tinha orelhas e conseguia ouvir, as únicas coisas presentes em meu rosto, eram os olhos sem pupilas e cor definida, era uma mistura de azul, amarelo e vermelho, o azul como cor do olho, o amarelo no lugar da pupila e o vermelho como se fosse  a sombra no olho, as cores se uniam deixando-o totalmente diferente do que se via normalmente, existiam  desenhos ou  símbolos em minha testa, em meu corpo não havia um fio de cabelo, para minha surpresa eu não tinha órgãos reprodutores e acho que também nem teria jeito de me reproduzir, pois eu estava totalmente sozinho naquele lugar.

Fiquei andando durante horas, como se não saísse do lugar, tudo era do mesmo jeito, então comecei a pensar, onde estão as arvores, as plantas, os animais,…, etc; Assim como  o espelho foi criado de  minhas mãos,  agora mãos e pés se uniam com o meio e do  branco começaram a sair desde, plantas floridas a arvores enormes e totalmente negras, do chão brotavam bolhas escuras como a noite, que ao se desfazer deixavam em seu lugar espécies de animais que eu conhecia, mas com corpos negros e com símbolos, iguais aos meus, a única coisa que os diferenciava era o símbolo na testa, pois o deles era simplificado, os mesmos tinham vida própria, com características e barulhos únicos, senti-me lisonjeado em ver e fazer algo tão lindo,  sempre sonhei quando vivo, em fazer um mundo só meu e em minha morte eu conseguiria realizar este sonho.

Apesar de tudo que fiz em meu mundo, precisava ter alguém para poder mostrar o que fiz e me acompanhar na criação de todo o resto, ou seja, precisava de uma companhia.

Para isso levei um certo tempo, pois queria que ela fosse perfeita, fiquei por vários momentos treinando e tentando, até que consegui fazer algo digno de um deus, dividi minha alma em duas e minha companhia  fez-se viva, apesar de não ser necessário decidi nomeá-la, seu nome era Amalanjper,  significa, ‘Amor de minha Alma Anjo da Perfeição’, igualmente  aos outros ela possuía personalidade própria, gostos e estilo diferentes dos meus, pretendia conquistar sua confiança não abusando do meu poder sobre ela.

Por ter metade de minha alma terá poderes iguais aos meus, com um diferencial de que eu a criei e poderia destruí-la se preciso.

Caso não conseguisse conquista-la, ao menos a teria como companheira e quem sabe uma amiga, em sua homenagem, crie uma nova espécie, Cervala (Cervo Alado ou Cervo de Amalanjper) ao ver a  felicidade no olhar  de Amal  me senti tão bem,  parecia sentir tudo que ela sentia e esse sentimento em mim era muito bom, por tanto, faria o possível para agrada-la sempre.

Nos primeiros dias, percebi que Amalanjper era muito vaidosa, as flores que eu havia criado para deixar nosso lar mais bonito e perfumado, ela  simplesmente copiava o cheiro e especificidades de cada uma delas para si, os animais que criei, ela escolhia a dedo os mais belos e absorvia seus diferenciais, assim Amalanjper acabava por estar sempre diferente, mas nunca a via como ela mesma, eu tentava explicar, que cada um tem o seu diferencial e que ela deveria ter um também, pois assim se tornaria única, mas Amal era um pouco teimosa e não me ouvia muito, essa era uma característica totalmente minha, passada para ela e que não em agradava muito.

Depois de um certo tempo resolvi comentar com Amalanjper o quão parecida com as terráqueas ela era, mesmo sendo belas, crescem e morrem tentando ser as melhores e mais belas de sua espécie,  ela é claro se interessou  e queria saber mais sobre as humanas em especial, mas não quis enche-la com tantas historias, além do mais, ela possuía metade de minha essência, logo partilhava de minha sabedoria acerca de algumas coisas também, com o tempo as lembranças ficariam mais clara a ela.

O tempo foi passando e eu percebia que minha companheira ia se distanciando, era presente, mas sempre a pegava longe e distraída, durante o dia ela ficava  horas  em um local que havia criado, parecia estar confabulando algo, mas nunca quis perguntar, afinal eu a criei para ser livre.

Comecei a notar mudanças visuais nela, coisas que mais pareciam roupas, a forma de agir era diferente, intrigado resolvi perguntar onde havia encontrado aquelas coisas e ela dizia que havia retirado de minhas lembranças, como na terra cada pessoa evoluía de acordo com as necessidades, imaginei que com ela não deveria ser diferente.

Certo dia Alamanjper veio a mim com duvidas e eu respondi pois não tinha o que esconder, queria saber se poderia criar vida igual a mim e eu respondi que sim, pois justamente ela era parte de mim, perguntou se havia alguma maneira de se comunicar com os terrestres e respondi que nunca havia tentado, mas que não duvidava da possibilidade, me fez varias perguntas bobas e logo saiu para o seu local de pensamentos,  deixando-me sozinho e sem muitas explicações.

Um pouco mais tarde ela volta acompanhada de uma criatura mais parecida com um humano, possuía boca, nariz, orelhas, um olhar assombroso e um símbolo diferente na testa, fiquei surpreso sem saber o que dizer, Alamanj percebeu   meus espanto e resolveu se explicar, estava testando seus poderes e para isso havia criado um ajudante, sua fascinação por humanos fez com que criasse algo parecido, mas por que motivo precisaria de um ajudante? Afinal tínhamos tudo que queríamos? Isso estava um tanto quanto estranho, estava impacientemente curioso ela estava tramando algo. Comecei a pedir para entrar em seu templo de pensamento, pois até o momento nunca havia cogitado o porque de ela esconder algo de mim, mas ela sempre dizia que eram coisas de mulher, como se ela fosse uma,  acho que ela acabou perdendo muito tempo estudando minhas memorias, já estava parecendo uma humana, por medidas de segurança acabei por  bloquear minhas lembranças, não queira que ela aprendesse muito sobre minha antiga raça, pois não era algo de que me orgulhava.

 

 

 

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